A um coração
Ai! Pobre coração! Assim vazio
E frio
Sem guardar a lembrança de um amor!
Nada em teus seio os dias hão deixado!…
É fado?
Nem relíquias de um sonho encantador?Não frio coração! É que na terra
Ninguém te abriu… Nada teu seio encerra!
O vácuo apenas queres tu conter!
Não te faltam suspiros delirantes,
nem lágrimas de afeto verdadeiro…
É que nem mesmo — o oceano inteiro —
Poderia te encher!…
VOS DOIS CADÁVERES
E depois quando a aurora ergueu-se linda,
Viu a louca a embalar no seio o amante,
Cantando mil cantigas e o beijando
Sempre amorosa, triste e delirante…
Mas a lua co’os raios desmaiados
Viu dois mortos unidos, abraçados …
Anjo“Ai! Que vale a vingança, pobre amigo,
Se na vingança a honra não se lava?…
O sangue é rubro, a virgindade é branca —
O sangue aumenta da vergonha a bava.”“Se nós fomos somente desgraçados,
Para que miseráveis nos fazermos?
Deportados da terra assim perdemos
De além da campa as regiões sem termos…”“Ai! não manches no crime a tua vida,
Meu irmão, meu amigo, meu esposo!…
Seria negro o amor de uma perdida
Nos braços a sorrir de um criminoso!…”