Salta de lado, corre e pára.
Com as patas dentro do aquário, caça o peixinho de vidro
arranha as minhas costas, ronrona e atravessa a sala
com olhos fechados sabe de cor os passos que eu dou
És meu, sou eu, o gat(un)o da casa.

Maio 26, 2007
Salta de lado, corre e pára.
Com as patas dentro do aquário, caça o peixinho de vidro
arranha as minhas costas, ronrona e atravessa a sala
com olhos fechados sabe de cor os passos que eu dou
És meu, sou eu, o gat(un)o da casa.

Maio 25, 2007
O Jorge, O Jorge
Vem de Aruanda
Vem salvar os vossos filhos
São Jorge venceu demanda
Ogum, Ogum
Ogum meu pai
O senhor mesmo é quem disse
Que filho de Umbanda não cai.
São Jorge, meu pai, saravá!
Maio 8, 2007
“Nossa mãe, dizei depressa
que vestido é esse vestido.”
Eu ri baixinho e repeti ” que vestido é esse vestido”, ele olhou pra mim com cara de “ficou maluca” e eu só disse:
-O caso do vestido.
Repeti todas as falas do poema, e comparei cada cena com o que eu imaginava, cada passo e cada lágrima.
Sempre imaginei um lindo vestido vermelho com algumas rendas e sem estampas, lá era diferente…rosa e branco, era cheio de flores e folhas verdes.
A amante sempre usava ele na minha imaginação, os lábios eram vermelhos e carnudos,tinha a face rosada e um lindo cabelo castanho, lá ele era preto, quer dizer…uma piruca preta. Ela era sempre sensual, um olhar de parar qualquer homem, mas no filme só parou o Marido, que tinha um nome estranho.
Ulisses, Clara, Ritinha…esses eram os nomes dos personagens, O marido e suas duas filhas. Não dei muita importância pro nome da Mulher e da Amante, elas eram importantes demais pra eu substituir esse posto por um nome.
Mulher: frágil, companheira e amorosa.
Amante: mulher falsa e provocante.
(risos)
Os passos do Marido eram bem firmes e marcantes, só fui perceber isso no final quando ele entrou porta adentro e fez um som forte no assoalho da casa, imaginei ele subindo as escadas e a Mulher dizendo:
“-Minhas filhas, eis que ouço vosso pai subindo as escadas…”
“…era sempre o mesmo homem,comia meio de lado e nem estava mais velho.”
Ela nem tinha envelhecido e nem as filhas crescido, era a mesma familia só tinham uma historinha a mais pra contar.
“…tudo foi um sonho,
vestido não há… nem nada.”
Maio 6, 2007
Por muito tempo achei que a ausência é falta.
E lastimava, ignorante, a falta.
Hoje não a lastimo.
Não há falta na ausência.
A ausência é um estar em mim.
E sinto-a, branca, tão pegada, aconchegada nos meus braços,
que rio e danço e invento exclamações alegres,
porque a ausência, essa ausência assimilada,
ninguém a rouba mais de mim.“Vem cá, eu te faço companhia…”
Maio 5, 2007
Écoute! tout se tait; songe à ta bien-aimée
Ce soir, sous les tilleuls, à la sombre ramée,
Le rayon du couchant laisse un adieu plus doux,
Ce soir, tout va fleurir: I’irnmortelle nature
Se remplit de parfuns, d’amour et de murmure
Comme le lit joyeux de deux jeunes époux.
(A. de Musset)
(salvador cabello)